Hoje é meu aniversário e acordei me sentindo só. Na verdade, desde ontem sinto-me sozinha. Fiz uma viagem só para o litoral alagoano que contarei aqui capítulo por capítulo, e decidi deixar meu carro no aeroporto mesmo. Queria ser totalmente independence day, como costumo dizer.Meus pais não me levaram nem me buscaram no aeroporto, não havia ninguém à minha espera, mesmo sendo meia-noite e um, tecnicamente dia 30 de julho, dia do meu aniversário de vinte e nove anos. Até olhei assim, com ar de quem queria mesmo uma surpresa: dos amigos, de uma certa pessoa amada - e nada. Foi quando vi um senhor com flores à espera de alguém...havia uma ansiedade em seu olhar, ele apertava com todas as forças o buquê minguado de rosas vermelhas, e olhava a sala de desembarque como quem espera a mulher amada.
Senti uma inveja de ser aquela mulher cujo rosto nunca vi. Senti uma inveja de ser amada assim. Não há mais tempo para o romantismo, nem saco, nem jeito. Poucas pessoas me ligaram no meu aniversário, ao menos até agora. Muitos mandaram mensagens e mais um tanto mandou-me scraps no Orkut - até mesmo porque o próprio Orkut lembra a data pra muitas pessoas...hoje vivemos num trem bala, como diria Martha Medeiros, e, na correria, qualquer descuido pode ser fatal. Minha mãe ainda anota telefones na agenda e não no celular (também estou fazendo isso agora), ela também guarda as datas de nascimento na agenda...era nessa época que as pessoas ligavam umas para as outras, no sentido figurado e lato da palavra ligar. A gente se encontrava com as pessoas, comprava presentes e dava festas com tudo pago. Hoje o convite da festa é feito por e-mail, Orkut, msn e mensagens no celular. O presente é levar o que se bebe, na quantidade em que se bebe. E o aniversariante corre o risco de passar s
eu dia sozinho, nada pessoal, é só que as pessoas têm mais o que fazer.Sinto saudade de gente, da época em que gente gostava de gente...de amar gente, de ser gente. Espero que aos 29 eu seja mais gente também, esse é o meu pedido de aniversário.