É noite de quinta-feira, 23, marquei minha passagem para às 7h20 de sexta, digo às amigas que não precisam me levar ao aeroporto. Investigo se é seguro deixar meu carro lá. Ainda nem são oito da noite e minha mochila já está pronta.Combino com as amigas mais chegadas de ir a um bar da cidade, me despedir delas antes de pegar meu vôo: assim eu faço. Visto um preto com pregas e uma sapatilha. Um casal de amigos me espera. Não casal, casal, mas apenas um homem e uma mulher. Digo que não vou beber nada, mas peço um cozumel. Outra amiga chega, contamos pormenores do dia. O rapaz percebe que o papo é de menininhas e nos deixa sós.
A nossa amiga atrasada que, aliás, marcou o encontro não chega nunca. Mandamos mensagens, ligamos e nada! Concluímos que ela estava com o namorado e relaxamos. De cozumel em cozumel, fomos contando nossas aventuras amorosas. Estávamos todas enroladas, para variar. De repente, chega a amiga que jurávamos que estava super bem, namorando. Ledo engano. Uma briga havia feito ela se atrasar e um rompimento se aproximara.
Mudamos de mesa e de assunto. Ela não queria falar de nada de namoro, rompimento e brigas. Elas seguiram na noite, era antes das zero hora quando peguei o caminho de casa, não sem antes me despedir.
Nem preciso dizer que mal dormi, né? Estava ansiosa com minha viagem totalmente só para a praia. Acordei antes das seis e esperei até umas seis para levantar. Dei uma checada na mochila, tudo certo. Escolhi a roupa: jeans preto, tênis branco, meias brancas, jaqueta jeans, camiseta de algodão branquinha, tictacs no cabelo, óculos, protetor. Estava pronta. Peguei meu carro e segui ouvindo alguma rádio, até o aeroporto.
Estacionei num lugar que ele pudesse aguentar por uma semana. Documentos e passagem à mão, cheguei em cima da hora do final do check in. Ufa!
Poltrona 14. Lá estava eu. O dia amanheceu lindo em Palmas. Dormi o percurso quase todo até Brasília. Li na revista da Tam uma matéria com o JR. Duran,o super fotógrafo das supermodelos, comi aquele lanche insosso que servem e 50 minutos depois, estavam no JK, no DF.
Meu vôo sairia às 10 e pouco de lá. Pegamos um ônibus e me deparei com dois deputados federais. Fingi que não os vi, mas não teve jeito. Encostaram-se perto de mim e puxaram assunto: "para onde vai?" . Maceió. "Ai que coisa boa!"; "É uma cidade linda"....
"Eu ainda não conheço", disse que pensando que era uma eternidade os cinco minutos entre a aeronave e o saguão. Cheguei! Meu vôo atrasou uns 40 minutos. Era no portão D, essa coisa de portão de letra é sempre fria. Geralmente são os do subsolo do JK, sem lanchonetes, nem opções de cadeiras ou bancas de revistas. Fiquei ouvindo meu MP4: U2. Sentei-me no chão mesmo e com meus imensos óculos fiquei reparando nas pessoas passarem.
Até vi gente famosa. Ah tá, era o Leão, o técnico, mas está valendo. Um baiano ultramoderno sentou-se do meu lado, e falava horas ao celular, abriu o notebook e ficou tratando de trabalhar... Pensei que ele podia ser eu, já viajei assim, com mil coisas a resolver, mas não era o caso. Fiquei feliz por isso.
Enfim, ouvi a chamada para o meu vôo. Em cinco segundos milhares se amontoaram na fila do portão D. Tem certas coisas na vida que eu não entendo, e uma delas é por que as pessoas que vão estar no mesmo vôo querem por tudo pegar uma fila? Esperei sentada. O avião não partiria sem mim. O mesmo fez um senhor paulista ao meu lado. Ele fez a mesma pergunta. Eu sorri. Ele disse: "Vai para Maceió?", apesar da pergunta óbvia eu respondi gentilmente: "Sim, mas meu destino final é Maragogi". Ele puxou assunto: "Vou ver se passo por lá, minha filha me indicou uma ida a Maragogi. Estou de férias, passar uns dias em Maceió". Eu sorri.
"Minha mulher tem alzheimer e preciso descansar". Gostei do assunto e disse: "Eu só quero descansar, quero ficar num hotel, pegar praia cedo, voltar para o hotel de noite". Ele: "Ah! Era disso que estava precisando". E assim entramos no ônibus. Nos separamos em seguida, cada um na sua poltrona. Eu voei ouvindo U2, foi a trilha da ida. Duas horas e meia depois estávamos pousando em Maceió. Dia claro.
Muitos turistas gaúchos. Uma delas fez a minha foto no aeroporto com o avião de fundo. Eu estava lá! E agora? Bom,vamos achar um carro porque passava das quatro da tarde e eu ainda teria de chegar em Maragogi.
Fui ao balcão de informações e a atendente de nome Cíntia, me deu milhões de dicas e um monte de mapas da cidade de Maragogi e Maceió. Sai meio zonza de lá, mesmo assim, fui consultar um táxi, antes de esperar um ônibus que, segundo ela, me deixaria no centro da cidade e de lá eu poderia pegar outro táxi até a rodoviária para, enfim, embarcar para Maragogi - já de noite. No guichê do táxi encontrei um casal de gaúchos: Zaida e Júlio. Eles queriam ir de táxi a, advinha onde? Maragogi! Foi uma sorte tê-los achado porque a recomendação é não pegar a estrada de noite para lá. Rachamos o táxi em 70 contos para cada e seguimos juntos numa viagem emocionante, com um taxista evangélico.
Seo Zé pegou um caminho alternativo para Maragogi, segundo ele mais rápido. Porém, cheio de buracos. Passamos por Flexeiras, a cidade natal de Renan Calheiros, e seguimos por lugares muito pobres. O pior foi ver um atoleiro em que um carro estava enguiçado e do qual, seo Zé, jurava que sairíamos ilesos. Demos sorte, ou a experiência de seo Zé contou na hora de passarmos no lamaçal. Zaida passou mal - ela estava no banco de trás e não tinha comido nada até àquela hora. O carro parou, ela foi para o banco da frente. Paramos num posto e compramos água. Uma família de porquinhos atravessou a pista, foi aí que peguei a máquina e lamentei ter perdido o registro do atoleiro. Mas dos porquinhos eu bati chapa!
Seguimos e por volta das seis da tarde chegamos, finalmente, a Maragogi. Perto do hotel, Zaida vomitou a água que tinha bebido. Deixei-os e segui com seu Zé até a minha pousada: simples, em frente ao mar e super confortável. Meu quarto estava pronto, com cama de casal, um quadro do nascimento de Vênus de Sandro Botticelli, uma TV. Fui até à piscina, tomei uma cerveja sozinha, olhando o mar e ouvindo Los Hermanos. Vi dois homens bonitos se aproximarem e irem até a piscina. Era um casal de gays; voltei para o quarto.Tomei um banho frio (não acertava como fazer o chuveiro funcionar no morno), pus biquíni e uma saída de banho e fui caminhar na orla. Comi um sanduíche, e sentei um pouco a beira-mar. Na volta, fui muito observada por nativos que sentados à beira, davam notas às turistas. Creio que a minha não foi das melhores.Voltei pro hotel e dormi. Mais tarde, me arrumei e fui jantar num bar da orla mesmo, que servia frutos do mar. Comi lagosta feita no alho e óleo e tomei uma cerveja. Voltei pro hotel e capotei. Estava exausta.
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