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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carnaval em Taquaruçu

Escolhi um Carnaval diferente este ano. Sexta-feira saímos juntos: eu, ele, um casal de amigos e um amigo do casal. Fomos ao nosso shopping, que mais parece uma galeria. Tomamos chope, comemos uma porção de calabresa muito mal-passada - que nos fez quase passar mal também. Depois fomos ao espetinho e minha noite terminou no sofá da casa do meu cunhado. Meu namorido ainda desperto ouvindo a música do programa 96 Rock.

No sábado acordamos tarde, tomamos café e ficamos enrolando o dia inteiro. Almoçamos já passava das duas da tarde. Dormimos mais um pouco. Terminei de assistir o filme "Besouro" que, diga-se, é muito bacana. Almoçamos strogonoff, minha especialidade. Dormimos mais um pouco e, finalmente, começamos nosso dia.


Já eram nove, quando rumamos a Taquaruçu. No caminho, havia uma blitz, comum nos Carnavais. Fomos para a casa de uma amiga, numa chácara. Estava um clima delicioso, mas queríamos badalar. Fomos a um show com uma banda local, nos divertimos mesmo. Dancei todas as marchinhas de som mecânico ( de Daniela Mercury, a Simonal e Elba Ramalho). Era quase duas da manhã quando deixamos o local. Sóbrios e felizes.

Capotamos. Acordei com uma luz forte nos olhos. "Deixei a luz acesa", pensei. Levantei para apagar e vi que a luminosidade vinha do telhado. Aquelas telhas de plástico transparente tinha transformado o quarto num palco! Não teve como. A casa é aconchegante. Fica no alto da serra, cercada por bananeiras, mamoeiros, flores e outras árvores do cerrado. Quadros de Frida Khalo, artesanato, linhas, tear, livros e discos originais. Uma TV que só é ligada para filmes, comida natural, gatos, um cachorro chamado "Doidão", um beija-flor, algumas formiguinhas.... Um banheiro orgânico. Sim, aqueles banheiros secos que, depois de fazer coco, você joga serragem e tudo vira adubo, depois de um tempo e muito sol. Achei que não conseguiria usar um banheiro assim, apesar de que me criei indo para fazenda do meu avô: mato, folhas ou sabugos como papel higiênico. Mas ontem, depois de dois dias, usei o banheiro e gostei!

O banheiro é um detalhe. O sábado e o domingo de Carnaval foram fantásticos. Ontem, uma jantinha deliciosa, macarrão orgânico e não-orgânico, vinho tinto seco, o meu amor, um filminho à noite, uma chuvinha fina e o cheiro de mato. De manhã, pão integral com requeijão cremoso. Café de feijão, frutas, iorgute...e um pouco de paz. Depois cachoeira.......

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Diário de bordo - Maceió - O dia que conheci o casal

Acordo animadinha no sábado. Tomo café na pousada mesmo, acompanhada de um casal e seu filho de uns 11 anos, mais ou menos. Duas coisas me chamam a atenção: o inhame cozido que servem logo cedo no hotel e o modo como esse casal trata seu filho. O menino é um cavalo e mesmo assim são os pais que fazem o prato dele. Quando ele precisou comer mais, não foi lá e se serviu; ele pediu ao pai. Achei isso muito esquisito.

Enfim, 'o que eu tenho com isso?', pensei. Voltei pro quarto e me troquei para ir ao passeio nas famosas galés de Maragogi. Coloquei um biquíni minúsculo, uma saída de praia e fui pra a piscina esperar que o guia me chamasse. Lá, encontrei o casal de ontem, ainda brincando na piscina e um grupo com duas mulheres feias de doer e dois caras: um parecia cantor de banda brega. E justo esse não parou de me olhar. Ainda bem que fui salva pela moça do hotel, que logo veio com seu sotaque alagoando informar que o passeio estava saindo.

Foi ai que percebi que o casal gay também estaria comigo nessa empreitada pelas galés. Logo puxaram assunto e fomos conversando até a chegada na barraca do passeio. Decidimos que ficaríamos os três juntos, estilo Três formas de amar, pero no mucho. Assim pegamos o barco e seguimos. No início eles tentaram disfarçar, mas eu disse logo que tinha sacado a deles, né, meu bem? Esse dia foi super divertido: mergulhei e vi corais e peixinhos. Mas dá um medão. Pensei em desistir, mas o Bob Esponja, meu instrutor, me convenceu e valeu a pena.


Na volta, mais fotos - dividimos o valor das fotos do mergulho, ficou mais em conta - e já tinha combinado de ir com o casal gay à Porto de Galinhas. Ficamos um pouco na piscina, e de tardinha pegamos a estrada. Chegamos em Porto de Galinhas de noite. Foi uma luta conseguir um hotel. No fim, ficamos numa pousadinha à beira-mar perto da praia de Maracaípe. E com preço em conta, tipo assim, R$ 60, por quarto: ar, piscina, frigobar, TV e um chuveiro quente. Que eu só consegui colocar no quente no último dia de hospedagem, mas tudo bem.

Fomos direto para a piscina. Eles logo inventaram um apelido para mim: "datupei" - lê de trás para frente. Já altinhos, fomos parar numa balada em Porto de Galinhas. Um pub bem bacana, com DJ e um monte de turistas. Eu não bebi nada, eles misturaram tudo e fomos embora porque estavam empolgados e os pit boys já pensavam em bater neles.... Amanhã tem mais.

domingo, 9 de agosto de 2009

Diário de bordo - Viagem a Maceió

É noite de quinta-feira, 23, marquei minha passagem para às 7h20 de sexta, digo às amigas que não precisam me levar ao aeroporto. Investigo se é seguro deixar meu carro lá. Ainda nem são oito da noite e minha mochila já está pronta.

Combino com as amigas mais chegadas de ir a um bar da cidade, me despedir delas antes de pegar meu vôo: assim eu faço. Visto um preto com pregas e uma sapatilha. Um casal de amigos me espera. Não casal, casal, mas apenas um homem e uma mulher. Digo que não vou beber nada, mas peço um cozumel. Outra amiga chega, contamos pormenores do dia. O rapaz percebe que o papo é de menininhas e nos deixa sós.

A nossa amiga atrasada que, aliás, marcou o encontro não chega nunca. Mandamos mensagens, ligamos e nada! Concluímos que ela estava com o namorado e relaxamos. De cozumel em cozumel, fomos contando nossas aventuras amorosas. Estávamos todas enroladas, para variar. De repente, chega a amiga que jurávamos que estava super bem, namorando. Ledo engano. Uma briga havia feito ela se atrasar e um rompimento se aproximara.

Mudamos de mesa e de assunto. Ela não queria falar de nada de namoro, rompimento e brigas. Elas seguiram na noite, era antes das zero hora quando peguei o caminho de casa, não sem antes me despedir.

Nem preciso dizer que mal dormi, né? Estava ansiosa com minha viagem totalmente só para a praia. Acordei antes das seis e esperei até umas seis para levantar. Dei uma checada na mochila, tudo certo. Escolhi a roupa: jeans preto, tênis branco, meias brancas, jaqueta jeans, camiseta de algodão branquinha, tictacs no cabelo, óculos, protetor. Estava pronta. Peguei meu carro e segui ouvindo alguma rádio, até o aeroporto.

Estacionei num lugar que ele pudesse aguentar por uma semana. Documentos e passagem à mão, cheguei em cima da hora do final do check in. Ufa!

Poltrona 14. Lá estava eu. O dia amanheceu lindo em Palmas. Dormi o percurso quase todo até Brasília. Li na revista da Tam uma matéria com o JR. Duran,o super fotógrafo das supermodelos, comi aquele lanche insosso que servem e 50 minutos depois, estavam no JK, no DF.

Meu vôo sairia às 10 e pouco de lá. Pegamos um ônibus e me deparei com dois deputados federais. Fingi que não os vi, mas não teve jeito. Encostaram-se perto de mim e puxaram assunto: "para onde vai?" . Maceió. "Ai que coisa boa!"; "É uma cidade linda"....

"Eu ainda não conheço", disse que pensando que era uma eternidade os cinco minutos entre a aeronave e o saguão. Cheguei! Meu vôo atrasou uns 40 minutos. Era no portão D, essa coisa de portão de letra é sempre fria. Geralmente são os do subsolo do JK, sem lanchonetes, nem opções de cadeiras ou bancas de revistas. Fiquei ouvindo meu MP4: U2. Sentei-me no chão mesmo e com meus imensos óculos fiquei reparando nas pessoas passarem.

Até vi gente famosa. Ah tá, era o Leão, o técnico, mas está valendo. Um baiano ultramoderno sentou-se do meu lado, e falava horas ao celular, abriu o notebook e ficou tratando de trabalhar... Pensei que ele podia ser eu, já viajei assim, com mil coisas a resolver, mas não era o caso. Fiquei feliz por isso.

Enfim, ouvi a chamada para o meu vôo. Em cinco segundos milhares se amontoaram na fila do portão D. Tem certas coisas na vida que eu não entendo, e uma delas é por que as pessoas que vão estar no mesmo vôo querem por tudo pegar uma fila? Esperei sentada. O avião não partiria sem mim. O mesmo fez um senhor paulista ao meu lado. Ele fez a mesma pergunta. Eu sorri. Ele disse: "Vai para Maceió?", apesar da pergunta óbvia eu respondi gentilmente: "Sim, mas meu destino final é Maragogi". Ele puxou assunto: "Vou ver se passo por lá, minha filha me indicou uma ida a Maragogi. Estou de férias, passar uns dias em Maceió". Eu sorri.

"Minha mulher tem alzheimer e preciso descansar". Gostei do assunto e disse: "Eu só quero descansar, quero ficar num hotel, pegar praia cedo, voltar para o hotel de noite". Ele: "Ah! Era disso que estava precisando". E assim entramos no ônibus. Nos separamos em seguida, cada um na sua poltrona. Eu voei ouvindo U2, foi a trilha da ida. Duas horas e meia depois estávamos pousando em Maceió. Dia claro.

Muitos turistas gaúchos. Uma delas fez a minha foto no aeroporto com o avião de fundo. Eu estava lá! E agora? Bom,vamos achar um carro porque passava das quatro da tarde e eu ainda teria de chegar em Maragogi.

Fui ao balcão de informações e a atendente de nome Cíntia, me deu milhões de dicas e um monte de mapas da cidade de Maragogi e Maceió. Sai meio zonza de lá, mesmo assim, fui consultar um táxi, antes de esperar um ônibus que, segundo ela, me deixaria no centro da cidade e de lá eu poderia pegar outro táxi até a rodoviária para, enfim, embarcar para Maragogi - já de noite. No guichê do táxi encontrei um casal de gaúchos: Zaida e Júlio. Eles queriam ir de táxi a, advinha onde? Maragogi! Foi uma sorte tê-los achado porque a recomendação é não pegar a estrada de noite para lá. Rachamos o táxi em 70 contos para cada e seguimos juntos numa viagem emocionante, com um taxista evangélico.Seo Zé pegou um caminho alternativo para Maragogi, segundo ele mais rápido. Porém, cheio de buracos. Passamos por Flexeiras, a cidade natal de Renan Calheiros, e seguimos por lugares muito pobres. O pior foi ver um atoleiro em que um carro estava enguiçado e do qual, seo Zé, jurava que sairíamos ilesos. Demos sorte, ou a experiência de seo Zé contou na hora de passarmos no lamaçal. Zaida passou mal - ela estava no banco de trás e não tinha comido nada até àquela hora. O carro parou, ela foi para o banco da frente. Paramos num posto e compramos água. Uma família de porquinhos atravessou a pista, foi aí que peguei a máquina e lamentei ter perdido o registro do atoleiro. Mas dos porquinhos eu bati chapa!

Seguimos e por volta das seis da tarde chegamos, finalmente, a Maragogi. Perto do hotel, Zaida vomitou a água que tinha bebido. Deixei-os e segui com seu Zé até a minha pousada: simples, em frente ao mar e super confortável. Meu quarto estava pronto, com cama de casal, um quadro do nascimento de Vênus de Sandro Botticelli, uma TV. Fui até à piscina, tomei uma cerveja sozinha, olhando o mar e ouvindo Los Hermanos. Vi dois homens bonitos se aproximarem e irem até a piscina. Era um casal de gays; voltei para o quarto.Tomei um banho frio (não acertava como fazer o chuveiro funcionar no morno), pus biquíni e uma saída de banho e fui caminhar na orla. Comi um sanduíche, e sentei um pouco a beira-mar. Na volta, fui muito observada por nativos que sentados à beira, davam notas às turistas. Creio que a minha não foi das melhores.

Voltei pro hotel e dormi. Mais tarde, me arrumei e fui jantar num bar da orla mesmo, que servia frutos do mar. Comi lagosta feita no alho e óleo e tomei uma cerveja. Voltei pro hotel e capotei. Estava exausta.